
escrita clara
O blogue da escrita clara do jornalista e ghostwriter Júlio Roldão.
A contrariar a regra dos muitos diários em papel
que não passam das boas intenções da primeira página
e para não perder nem a mão nem a identidade.
dia 23 mês 02 ano 12
Diário de uma gota
Gostei da apresentação do livro que a Ivete Carneiro escreveu a reportar um mês na ilha de Bolama (Guiné-Bissau), integrada, como jornalista, na missão permanente da Assistência Médica Internacional (AMI) que ali existe há alguns anos. Gostei do que lá foi dito e gostei do que ela escreveu, como dedicatória, no exemplar que comprei.dia 23 mês 02 ano 12
Insónias
Voltei a ter saudades de uma cidade que nunca visitei.
Mas não sei qual
dia 23 mês 02 ano 12
Rosa, Helena e Isabelle
No princípio dos anos 70, em Coimbra, sonhava-me em Paris, exilado de uma guerra a que dificilmente escaparia. Mais tarde, quando já jornalista, vivi nesta cidade momentos inesquecíveis como em certa noite de Setembro de 1988, num quarto do Hotel de France et Choiseul, na Rua de Saint Honoré, onde assisti em directo, pela televisão, à vitória da Rosa Mota na Maratona feminina dos Jogos Olímpicos de Seoul. – "C'est la portugaise", gritava, rendido, o jornalista francês.
Eu estava em Paris a acompanhar Mário Soares numa "rentrée" que contemplou a inauguração, no Grand Palais, de uma exposição da pintora Helena Vieira da Silva, ao lado do presidente francês François Mitterrand, dos ministros franceses Jack Lang e Roland Dumas, do casal Azeredo e Madalena Perdigão (da Gulbenkian), dos embaixadores Gaspar da Silva e José Augusto Seabra e, julgo eu, de Eduardo Prado Coelho. Exposição guiada pela própria pintora – privilégio a que, então, dei pouca importância.
Eu ainda não tinha 35 anos e a minha atenção fixava-se mais depressa em Isabelle Huppert, a brilhar no jantar que Jack Lang ofereceu a Mário Soares, acabada de chegar de Veneza com o prémio de interpretação feminina pelo papel de Marie Bouchon (francesa guilhotinada em 1943 por participar em abortos clandestinos) no filme "Une affaire de femme", de Claude Chabrol, que sempre merece ser revisto.
dia 23 mês 02 ano 12
Floresta de pianos
A vantagem de viajar em classe económica é enorme – só em económica é possível sentarmo-nos ao lado de um passageiro que transporta um piano de cauda como bagagem de cabine. Em executiva – e muito menos em primeira – ninguém fica a saber o nome do passageiro do lado. Imagine-se esse negócio do piano...
E não é que foi precisamente isso que aconteceu no voo TAP de Lisboa para Fortaleza do passado dia 3 de Outubro? A meu lado, numa acanhada cadeira do Airbus A não-sei-quantos, viajou um tal de Pessoa, Dr Amauri Paula Pessoa, farmacêutico e professor universitário, seguramente jubilado, que transportava na cabine (quase literalmente) um piano de cauda.
dia 23 mês 02 ano 12
Uma receita de açorda de feijão vermelho
O meu pai gostava muito de açorda. Eu não e na casa dos meus pais, quando eu era pequeno, era prato pouco habitual, apesar do gosto do meu pai. Pão ensopado, um fio de azeite, um ovo. Associa-se a açorda ao Alentejo e a um certo pão que só se encontrará no Alentejo, mas há outras açordas também portuguesas, como se verá no final desta receita.